Muito já se investigou e ainda existe muito para pesquisar tanto a nível genético como a nível arqueológico sobre a relação entre o lobo e o cão. Houve também grupos de curiosos e também técnicos que puseram mãos à obra e lançaram-se diretamente no terreno, tentando conhecer melhor esta relação através de cruzamentos mais ou menos selecionados.
De todos estes estudos, aquele que foi levado a cabo de forma mais metódica e organizada foi realizado pelo exército da antiga Checoslováquia. Um trabalho suficientemente sério para dar origem a uma raça reconhecida pela Federação Cinológica Internacional.
Nascido a 14 de agosto de 1924, alistou-se na guarda fronteiriça em 1951. Logo no início da carreira foi nomeado comandante do centro de formação para treinadores. Em 1982, reforma-se da carreira militar com a patente de Coronel, depois de ter modernizado completamente o formato do treino dos cães do exército. Com tal sucesso que chegou a dar formação a forças armadas de outros países do eixo soviético.
Existem poucos amantes de cães que não se lembrariam deste nome. Karel Hartl passou toda a sua longa vida com cães. Dedicou-se a eles desde a juventude e, por coincidência, eles se tornaram a realização e o destino da sua vida. Juntamente com Karel Všolk, eles foram os organizadores da criação de Pastores Alemães no canil da antiga Guarda de Fronteira, que ainda hoje funciona.
Karel Hartl nasceu em Blatná u Strakonice. Formou-se como ferramenteiro e seu hobby era consertar máquinas de escrever. Durante essa atividade, aprendeu a digitar muito bem, o que lhe permitiu usar sua experiência no departamento de pessoal após ingressar na Guarda de Fronteira, onde se estabeleceu como datilógrafo. Durante sua gestão nesse cargo, conquistou uma riqueza de contatos pessoais, pois esteve presente em todos os recrutamentos de suboficiais e oficiais que se apresentaram à Guarda de Fronteira imediatamente após o fim da Segunda Guerra Mundial.
Karel Hartl é um dos pioneiros da cinologia de serviço, especialmente na criação, educação e treinamento do Pastor Alemão. Ao longo de sua vida, participou da criação de diversas publicações ainda procuradas por especialistas e historiadores cinológicos, não apenas nas Repúblicas Tcheca e Eslovaca, mas também no exterior.
É autor de diversos artigos profissionais publicados nas revistas Stráž vlasti, Bulletin AV, Hunde revue, Naše vojsko, Cynologie, Pes přítel člověka e Fauna. Também apresentou informações profissionais em conferências e simpósios profissionais na República Socialista da Tchecoslováquia e no exterior.
Todo o seu conhecimento profissional, adquirido ao longo de seus muitos anos de atividade, foi transmitido de forma abnegada à geração mais jovem ao longo de sua vida. Nos últimos anos, tem participado com grande prazer de eventos organizados por organizações cinológicas que lidam com treinamento de serviço, criação e exposições.
Em meados do século XX, enquanto o mundo ainda se reorganizava após as guerras, Karel Hartl liderava o setor de cinologia de serviço da Guarda de Fronteira da antiga Tchecoslováquia. Ali, nasceu uma ideia ousada: cruzar o Pastor Alemão com o Lobos dos Cárpatos para criar um cão mais resistente, saudável e funcional para patrulhas em regiões de clima extremo.
O projeto, iniciado oficialmente em 1955, tinha um forte viés científico. Hartl investigava hereditariedade interespecífica, resistência física, dominância, estrutura nervosa e aptidão ao treino — algo inédito na época. Os primeiros híbridos foram minuciosamente selecionados, e apenas os exemplares com maior potencial genético e morfológico avançavam nas gerações.
Foi somente em 1982 que o Clube de Criadores da nova raça foi fundado e, em 1989, a FCI (Federação Cinológica Internacional) reconheceu oficialmente o Cão Lobo Tchecoslovaco como a mais nova raça da então Tchecoslováquia. Hartl, já aposentado com a patente de Tenente Coronel, viu sua obra atingir o mundo — e tornou-se uma lenda viva.
Hoje, o padrão da raça reflete a busca por equilíbrio entre a estética selvagem do lobo e a funcionalidade do cão: olhos claros e amendoados, pelagem densa, movimentação fluida e uma estrutura física robusta, com temperamento ativo, desconfiado, mas altamente treinável.
Artigos foram publicados contra sua ideia. Especialistas diziam que o cruzamento entre lobo e cão não poderia resultar em uma raça funcional. Hartl persistiu.
Hartl não foi apenas criador; foi professor, autor e formador. Ministrou cursos na então URSS, em Cuba e em diversas conferências, publicou livros e manuais sobre métodos de adestramento e genética canina e foi responsável por introduzir uma visão científica e médica à cinologia militar e civil.
Até seus últimos anos, mesmo aposentado, Hartl participou ativamente de eventos canófilos, prêmios e exposições. Faleceu em 28 de setembro de 2023, aos 99 anos, sendo reverenciado como o “pai do Vlčiak” e a figura que fez da criação canina tchecoslovaca uma referência internacional.
Em síntese, Ing. Karel Hartl uniu carácter militar, rigor científico, prática em campo e visão institucional para criar — ao longo de quase quatro décadas — o Cão Lobo Tchecoslovaco. Seu legado permanece vivo em cada exemplar da raça, nos métodos de treinamento e na história de uma raça verdadeiramente única.
Karel Hartl não criou apenas uma raça — ele provou que ciência, persistência e paixão podem transformar ideias ousadas em realidade. O Cão Lobo Tchecoslovaco é mais do que uma raça canina: é a representação viva de um projeto que desafiou limites e construiu pontes entre o selvagem e o domesticado.
Hartl publicou dezenas de artigos e livros especializados, como “Poznatky z křížení vlka a psa” (1960), “Výchova a výcvik psa” (1979), “Československý vlčák” (1996, 2015), entre muitos outros — compartilhando métodos e diretrizes para educação, socialização e reforma genética canina
Ele representou a cinologia tchecoslovaca em eventos internacionais, ministrou treinamentos técnicos (inclusive em Cuba) e instruiu gerações de adestradores em uso de cães de serviço, resgate, defesa e busca de explosivos.
Faleceu em 28 de setembro de 2023, aos 99 anos, sendo reverenciado como “lenda viva” da cinologia tchecoslovaca, pai do Cão Lobo Tchecoslovaco, “melhor palestrante que já existiu” e referência até hoje em clubes e congressos. Seus ensinamentos seguem atuais: a raça ainda está em desenvolvimento, exigindo criação contínua para eliminar traços nublados dos primeiros híbridos e aperfeiçoar temperamento, sociabilidade e capacidade de treinamento — missão que Hartl defendeu até o fim.
